Fondo de Valentín Paz-Andrade

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7 Destinatario/a [1]
Remitente [6]
Data Relación Remitente - Destinatario Orixe Destino [ O. ] [ T. ]
Data Relación Remitente - Destinatario Orixe Destino [ O. ] [ T. ]
1962-01-00 Remitente
Carta de Guilherme Almeida a Paz Andrade. 1962
São Paulo
Orixinal Transcrición

Transcripción da epistola Carta de Guilherme Almeida a Paz Andrade. 1962 en 00/01/1962

São Paulo, 22 janeiro de 1962


Ao meu estremecido Amigo Valentín, que é, no meu pensamento e no meu coração, a doce presença da Galiza, «nossa» pátria –acusando e agradecendo o seu lindo cartão, estou levando os meus votos melhores para o Ano Novo de felicidade plena, junto sempre a todos quantos lhe são caros.

Guilherme

1965-01-00 Remitente
Carta de Guilherme Almeida a Paz Andrade. 1965
São Paulo
Orixinal Transcrición

Transcripción da epistola Carta de Guilherme Almeida a Paz Andrade. 1965 en 00/01/1965

São Paulo, janeiro 1965

Mensageiro de muita saudade e muito bem-querer, vai este pedacinho de São Paulo levar à casa de um amigo, de volta, uma gota de sangue exilado no coração de um poeta, para significar ao amigo, no pórtico do Ano Novo do senhor, de 1965, o voto mui ardente que faz pela felicidade de todos os que lhe são caros, e de tudo o que lhe é doce almejar.

Guilherme

1966-01-00 Remitente
Carta de Guilherme Almeida a Paz Andrade. 1966
São Paulo
Orixinal Transcrición

Transcripción da epistola Carta de Guilherme Almeida a Paz Andrade. 1966 en 00/01/1966

[Janeiro 1966]

A minha tão grande saudade, o meu constante pensamento amigo aí lhe vão levar o voto melhor para o Ano do Senhor de 1966.
E, com isso, pedir noticias do amigo querido.
Um abraço de muito bem-querer de

Guilherme

1967-10-20 Remitente
Carta de Guilherme Almeida a Paz Andrade. 1967
São Paulo
Orixinal Transcrición

Transcripción da epistola Carta de Guilherme Almeida a Paz Andrade. 1967 en 20/10/1967

São Paulo, 20 de outubro de 1967

Caríssimo amigo Valentín:

Perdoe-me a demora na resposta à sua generosa carta de 1º de setembro. É que diversos impecilhos (uma terrível gripe foi o principal) não me permitiram lucidez bastante para apreciação do seu magnífico livro. Devorei-o com gula. Um García Lorca atualizado? Não sei. Sua poesia é sua mesmo: é a que eu escreveria se fosse o poeta e o galeciano puro que é você.
Tal livro não precisa de «Prefácio». Mas como não saberia eu nunca deixar de servir a você, imaginei essa carta, que é sincera, sentida ao longo da leitura da sua «Eira dos sonos». Se você julgar que ela merece aparecer à entrada do seu livro, será uma glorificação que lhe ficarei devendo. Vai ela em papel meu, pessoal, de sorte que, gravada em fotocópia, suponho que seria menos desinteressante.
Diga-me qualquer coisa a respeito. Suas órdens me serão sempre bemvindas.
Muito seu, de espírito e coração.



Guilherme




São Paulo, 20 de outubro de 1967


Valentín, meu Poeta:


A órdem que você me dá de prefaciar o seu esplendido Eira dos Sonos é a única que não a deveria dar você, nem a poderia eu obedecer. Por que? Sua poesia é sangue: nosso sangue, um mesmo sangue, da matricial Galiza aos filiais Portugal e Brasil ritmadamente fluido. Sínto-a em mim, palpitante mas intangível, assim como ao infante não seria possível tomar êle próprio o pulso ao seu cordão umbelical.
Foi daquêle meu Vigo de 1933 –de onde vi você trovar e vi Colmeiro lavrar- que me veio a veia alimentícia dêsse sangue: dêsse Vigo onde teve a sua côrte Dom Denis, Rei Trovador e Rei Lavrador. E, pois, terra de trovas e lavras, é a Galiza, assim, uma autenticidade histórica: êsse «matriarcado, arquivo da essência de uma raça», que marca, fundo, da primeira á última página, todo este seu lúcido livro, Valentín: êsse livro que é seu e é meu também, muito de meu sangue também. Deixe-me...
... deixe-me que lhe conte, amigo. Faz trinta e quatro anos que, estando eu em Santiago de Compostela, visitando a Catedral, aí descobri, na Capela do Santíssimo, creio eu, um vitral ofertado por uma dama cujo nome de família era «Andrade». Ora, eu também sou Andrade, do lado materno: descendente de um daquêles cinco cavaleiros que passaram à Espanha, à guerra dos Mouros, com o conde Dom Mendo, e foi seu solar a Vila de Andrade, no Reino da Galiza.
Somos irmãos, Paz-Andrade. Sou, portanto, suspeito para dizer desta sua forte, livre, lúcida, sadia, pura, bela poesia, na qual escuto, com você, «os querendosos chamamentos do lar»; beijo a paterna mão do lavrador cujos «dedos» abrem como cinco chaves as entranhas da terra desde Adão»; escuto também o plim-plim das «vozes unissílabas da pedra» que o canteiro juntou «ao pentagrama mágico do Mundo»; acompanho, na fimbria marítima, «a fenda que vai no céu abrindo o cutelo do lôna dos veleiros»; saudei os «bem-chegados ao porto, marinheiros, a cavalo nas ondas», sob o tutelar tatalar do «verde vento pela leira e vento azul pelo mar, panos da nossa bandeira»...
Valentín Paz-Andrade: Aqui tem você, nesta carta, o meu comovido «ex-voto» pela graça que recebo da sua milagrosa Poesia.



Guilherme

1967-12-28 Remitente
Carta de Guilherme Almeida a Paz Andrade. 1967
São Paulo
Orixinal Transcrición

Transcripción da epistola Carta de Guilherme Almeida a Paz Andrade. 1967 en 28/12/1967

São Paulo, 28 de Dezembro de 1967


Valentin, caríssimo:

Estou aturdido! Imagine que somente hoje me vem às mãos a sua carta de 28 de outubro! Importantíssima para ambos nós pelas providências de urgência que ela me pedia e que de mim dependiam, referentes ao seu esperadíssimo livro. Imagine, amigo querido, que o empregadinho do meu escritório, ao recebê-la, na minha ausência, colocou-a dentro de um livro que ocasionalmente a acompanhava: livro esse que sô hoje abri. Estou envergonhadíssimo e no entanto sem culpa...
Vejamos, entanto, o que podemos fazer. Desisto da idéia de reprodução em foto-cópia daquela minha missiva. Isso, principalmente porque não tenho cópia desse original, que bati diretamente da minha Remington, sem papel carbono. A única maneira de remediarmos o caso é o seguinte: composição tipográfica da qual você me mandará, com urgência provas para minha revisão, que farei no mesmo dia da recepção, devolvendo-as devidamente revistas e alterado o tratamento de «você» para «tu», se achar você necessário. Junto a esta, em papeleta à parte, a minha assinatura usual e oficial, com data: em tinta negra (Nankim) para cliché que fechará a página co meu modestíssimo prefácio. Concorda? Em caso afirmativo...
... receba, no meu abraço de fim-de-ano, os votos melhores para 1968, e mande-me para a minha falta sem «mea culpa» a sua absolvição amiga.
Seu, «ex toto corde»



Guilherme


N.B.: Remeta-me a sua resposta, não para o meu escritório, mas para a minha casa: Rua Macapá, 187 - São Paulo, ZP 5.

1968-01-07 Destinatario/a
Carta de Paz Andrade a Guilherme Almeida. 1968
São Paulo
Orixinal Transcrición

Transcripción da epistola Carta de Paz Andrade a Guilherme Almeida. 1968 en 07/01/1968

7/1/1968


Sr.D. Guilherme de Almeida
Príncipe dos Poetas
Rua Macapá, 187
São Paulo, ZP 5



Querido Guilherme:

Non hai culpa de ninguén. A todos nós cousas semellantes están a pasar as veces. Ademáis, o libro non retrasou a sahida pol-a traição d-outro libro. Onde mellor podía esta acochada a carta na ausencia do destinatario? Eu atribuía a traição ao correio...
Do 4 ao 20 de decembre tamén eu estuven ausente. Tuven necesidade de facer unha viaxe aos portos da Patagonia, cruzando duas veces o ar do Brasil sin escala en São Paulo, o que moito sentín. Agora xa teño o material completo e logo pode ser entregue o orixinal a imprenta.
Eu pensara facer o mesmo que indica na carta. Agora, co-a assinatura recibida moito mellor. Envíolle copia do prefacio por unha dúbida que a lectura me suxire. No segundo parágrafo di: «dêsse Vigo onde teve a sua córte Dom Denis». Eiquí non conocemos este feito. Temo que os eruditos non concorden. Deixo ao seu xuízo manter ou trocar a forma de tan bela cita.
En canto ao tratamento acho desnecessario facer a mudanza proposta, xa que «você» ten na terra de orixe da carta o tono que convén aos sentimentos que expresa, aínda que antre nos, eiquí, pudera ser algo distinto.
Supoño que andará por algunhas libreirías paulistas un libro meu –La anunciación de Valle-Inclán- publicado recentemente en Buenos Aires pol-a Editorial Losada. Non dispoño aínda de exemprares pra lle mandar, si ben agardo que se reciban eiquí en poucos días máis.
Pídolle perdón por tanta maçada que lle veño causando e c-os [ilexible]




[V. Paz Andrade]

1968-01-23 Remitente
Carta de Guilherme Almeida a Paz Andrade. 1968
São Paulo
Orixinal Transcrición

Transcripción da epistola Carta de Guilherme Almeida a Paz Andrade. 1968 en 23/01/1968

S/P, 23/I/1968


Valentin amigo:

Duas palavras às pressas para dizer que achei melhor fazer a cópia, eu mesmo, com algumas corrigendas, do texto-prefácio. Suprimi a referência duvidosa à Côrte de D. Denis em Vigo (eu aprendi assim e creio que certo, mas não posso provar. E, pois, «in dubio pro reo»...).
O tratamento de «você», para nós, não corresponde ao «ustede» castelhano, que é cerimonioso; é antes parecido com o «tu» (intimidade). Acho, pois, que você deve conserva-lo.
Não, não apareceu por aqui, nas livrarias, o seu La Anunciación de Valle-Inclán. Espero-o gulosamente...
Então, você sobrevoou São Paulo sem pousar um minuto? Nem em pensamento?... Não creio.
Minha cordialíssima «aperta» e toda a imensa saudade do amigo dileto.

«ex todo corde»


Guilherme