| 1969-06-27 |
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Anadia - |
epístola |
Orixinal -
Transcrición
Transcripción da Carta de Rodrigues Lapa a Paz Andrade. 1969 en 27/06/1969
Anadia, 27 de junho de 1969.
Meu prezado Amigo
Agradeço-lhe penhoradamente o seu folheto sobre «A evolução transcontinental da língua galego-portuguesa». Parabéns: é um dos homens da Península que melhor compreende o extraordinário futuro que a explosão demográfica do Brasil reserva á nossa língua comum. O seu cálculo de 100 milhões já hoje peca por menos. O último cálculo foi de 117 milhões e não contaram (estùpidamente, aliás) com o galego. Logo, ponha, sem hesitar, 120 milhões até ao fim deste ano. Não tardará muito que, na América, o galego-português seja a 2ª língua, logo depois do inglês. É um tema para meditações que devia estar presente a todos os galegos e portugueses.
Creia-me amigo atento e obrigado.
Manuel Rodrigues Lapa
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| 1979-06-26 |
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Anadia - |
epístola |
Orixinal -
Transcrición
Transcripción da Carta de Rodrigues Lapa a Paz Andrade. 1979 en 26/06/1979
Anadia, 26/6/79
Meu bom e prezado Amigo
Desculpe a demora em agradecer a oferta do seu livro, Cem chaves de sombra, onde, mais uma vez, o homem destemido faz da poesia a arma da sua luta pela Terra que o viu nascer. O «Pequeno testamento» é, a tal respeito, uma peça antológica. Parabéns pelo seu livro. A Galiza está precisando de homens assim: que vejam claro e obrem consequentemente, e sobretudo rapidamente; quando não, a cultura e a língua têm os dias contados.
O Sá da Costa mandou-me a fotocópia da sua carta, que muito apreciei. Diz muito bem: cumpre reabrir o triálogo. É o que venho fazendo de há muito. Como prova disso, envio-lhe o recorte de um artigo publicado no dia de Camões, o nosso santo padroeiro, que uma vez chamou «sórdidos» aos galegos, por atraiçoarem a fraternidade que deve sempre existir entre eles e os portugueses. Foi em nome desse ideal que amaldiçoou desse jeito os seus próprios avós galegos, um (Vasco Peres de Camões), prisioneiro, outro (Airas Peres de Camões), morto na batalha de Aljubarrota. É indispensável esclarecer todos estes incidentes históricos e varrer a estrada para a nossa reconciliação. O antilusismo recalcado parece ter ressurgido, de modo selvagem, na polemica desencadeada nos jornais em torno do problema da língua. A imagem da Galiza e sua cultura não fica honrada com tais destemperos. Tenho as peças fundamentais desse processo. O que não sei é se as terei de deitar ao lixo, ou se as terei de aproveitar para fazer o estudo da intelectualidade galega dos nossos dias.
Cumprimenta-o cordialmente o amigo obrigado,
Manuel Rodrigues Lapa
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| 1983-04-26 |
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Anadia - |
epístola |
Orixinal -
Transcrición
Transcripción da Carta de Rodrigues Lapa a Paz Andrade. 1983 en 26/04/1983
Anadia, 26 de Abril de 1983
Meu bom e prezado Amigo
Com amistosos cumprimentos meus, tenho o prazer de lhe enviar um trabalho sobre o problema da reintegração linguística galego-portuguesa, que me vem ocupando desde há muitos anos, como sabe. Tendo completado há dias 86 anos, tenho razão para crer que este será o meu canto de cisne sobre a momentosa questão.
Foi preparado para se publicar na Revista Brasileira de Língua e Literatura, dirigida pelo Prof. Leodegário de Azevedo Filho, que se prontificou a aceitar a colaboração de especialistas galegos, pondo a revista, como diz em carta de me escreveu, «à disposição da nobre causa da incorporação da Galiza, como nação, ao mundo luso-brasileiro». E como no final do artigo cito uma poesia sua, que vem muito a propósito sobre a reintegração da Galiza em sua esfera cultural, este meu modesto trabalho era-lhe devido por todas as razões. Peço-lhe que o aceite, com o abraço de velho e agradecido amigo,
Manuel Rodrigues Lapa
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