| 1958-05-25 |
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Ver [Carta mecanografada con firma autógrafa e co membrete:]
Transcripción da Carta de Paz Andrade a Díaz Pardo. 1958 en 25/05/1958
Vigo, 25 maio 1958
Querido Isaac:
Demoréi un pouco a resposta a tua do 31 de marzal, para poder facelo agora despois da obriga cumprida. O libro, en dous exemprares, xa estará no Centro Galego, cando recibades, ti e Pepe Núñez, estas liñas. Escribín, ademais, a Abelardo Estévez, para que si non necesitan, como supoño, mais que un exemplar, vos facilite o outro. Podedes, pol-o tanto, pedirllo, pois teño intrés en coñecer a vosa opinión, denantes de que a imprenta faga irremediabre calquera fallo. Como se trata de libro de certo fondo, que pretende situar nun terreo fértil e práctico os problemas mais anguriosos e abandoados secularmente, da nosa Terra, toda suma de opinións é moi de ter en aprecio. E mais, si son vosas.
A revista a que te refires, anunciada como bi-mensual, non voltóu a sahir. Supoño que o fará con retardo. E, desgraciadamente, sin que os verdadeiros intresados na economía de Galicia se enteiren do seu contido. Pol-o demais, as estratificacións mentaes son sempre irremovibles. De quen as padeza se non pode agardar nada. Morrerá co seu mal. Só nos queda deproral-o e cristianamente axudal-o no que se poida. Supoño que a forza de enseñar a orella cada un ficará como quen é.
Intentéi falar con Moisés da tua insinuación sobre a fabricación de Rosenthal en Burela. Non puden coincidir aínda con el. Supoño que estará enteirado e que moverá o que poida en contra. N-estes días viñeron a Galiza os dirixentes alemáns, mais non sei con que intencións.
Xavier vai algo millor, mais non se coida doada a sua recuperación total. Tamén Pilar melloróu das súas molestias, sin normalizal-as.
Cecais dentro de dous días vaiamos ao Castro. Unha fábrica de artigos de goma, d-eiquí, quixera encargarvos moldes de porcelana, e teñen intrés en que leve a un dos xerentes, coincidindo c-unha vista que teño na Audiencia. De Mimina e os nenos recibimos carta derradeiramente.
De Cabanillas as novas son ruíns. Sigue en Sant Yago, onde quixeron tratarlle un cáncer de párpado. Optaron por radial-o, mais atópase mal. Tamén Maside tuvo outra recaída n-estes días. Son xa tan frecuentes que coido que [non] resista moito máis. Teño temor de que a cousa se poña moito peor. Cuevillas tamen anda mal. Ten derrames repetidos que non permiten agardar recuperación. Gómez Román foi operado por Beiras de cataratas. Tamén tuvo unha compricación. Parece que vai algo millor.
E nada mais. Supoño que os fornos xa estarán botando fume. Deséxovos moito ben na aventura industrial, e teño seguranza de que será así.
Apertas cordiaes de
Valentín
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| 1982-03-29 |
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Ver [Carta mecanografada con firma autógrafa:]
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1982 en 29/03/1982
Sítio Pois é, 29 de março de 1982
Meu caro Amigo,
Devo-lhe diversos agradecimentos: pelos votos ao casamento de minha filha Laura; por ter dado meu endereço a seu filho; por ter-me remetido, por intermédio dele, as Greguerías e a linda cerâmica de Sargadelos, gentil lembrança de D. Pilar, que guardarei como testemunho da honrosa amizade de ambos.
Lamento sinceramente não ter podido apertar pessoalmente a mão de seu filho e agradecer-lhe a gentileza. Nós praticamente não mais descemos ao Rio, sobretudo não durante o calor, por conselho médico. Quando, pelo telefone, convidei o Dr. Alfonso a visitar-nos neste eremitério, infelizmente não lhe sobrava mais tempo assim o nosso encontro ficou para outra ocasião.
Soube por ele da doença de D. Pilar; espero que ao receber esta carta, ela já esteja totalmente restabelecida.
Leio com prazer as Greguerías; elas realmente não podiam faltar do meu dicionário de citações, no qual trabalho a todo vapor.
Estou ansioso a ler o seu livro sobre o grande Castelao. Ele desperta a curiosidade do leitor desde o titulo.
Da minha parte, esperava poder mandar-lhe, há tempos, a Rosiana, minha seleta de pensamentos e imagens do nosso Guimarães Rosa. Infelizmente a Livraria José Olympio ainda não se refez de crise em que se encontra há vários anos e, por enquanto, ela se restringe à publicação de reedições.
Seu filho deve ter-lhe falado da grave inflação que se observa no Brasil. Ela chegou a 120% por ano (ao passo que os nossos ordenados e aposentadorias foram reajustados apenas em 77%); ela está arruinando aos poucos toda a classe média. Suas consequências se fazem sentir também no mercado dos livros: devido ao grande investimento que exige a publicação de cada livro (o preço de venda de cada volume de Mar de Histórias é agora de 1000 cruzeiros!), os editores só querem publicar best-sellers de venda garantida.
Nossas noticias são estas. Aguardo as suas com carinho, mandando-lhe um forte abraço e meus respeitos a D. Pilar
Paulo
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| 1983-06-12 |
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Ver [Carta mecanografada con firma autógrafa:]
Transcripción da Carta de Rodrigues Lapa a Paz Andrade. 1983 en 12/06/1983
Anadia, 12 de junho de 1983
Meu bom e prezado Amigo
Não sei se lhe agradeci, como era meu gosto e meu dever, o livro deveras monumental que dedicou ao Galego nº 1, que foi e será sempre Castelao. Tenho estado doente, prolongadamente enfermo; e as cartas para responder, os livros para agradecer empilham-se no meu escritório; e o meu médico, que também é meu amigo, aconselha-me repouso! Queira perdoar-me: foi esta a vida que eu escolhi.
Tive grande prazer, ao encontrar entre os manuscritos de Castelao a fotocópia daquela carta que ele escreveu ao grande historiador Cláudio Sánchez de Albornoz sobre o galego e o português. É muito para meditar o que ele nessa carta diz: o galego só será verdadeiramente uma língua de cultura, quando vier a confundir-se com o português, como sucede com o português escrito do Brasil. E não o incomodo mais por hoje. Creia-me sempre amigo muito atento e agradecido,
Manuel Rodrigues Lapa
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| 1983-11-16 |
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Ver [Carta mecanografada con firma autógrafa:]
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1983 en 16/11/1983
Sítio Pois é, 16 de novembro de 1983
Querido Valentín,
Recebi a sua carta amiga de 27 de outubro. Muito abrigado pelos seus parabéns a propósito de meu Prêmio Machado de Assis.
Neste interim chegou-me a edição brasileira da Galeguidade, feito com cuidado e bom gosto. Até agora descobri apenas uma falha: na epígrafe de meu prefácio, a frase de Lorenzo Varela: «E sempre, sempre, sempre em Galiza...» saiu assim: «E sempre...».
Quanto à organização de tardes de autógrafo no Rio e em São Paulo, ela é da competência exclusiva da editora e não depende de nenhum crítico. *
Li com alvoroço as notícias que me dá dos progressos de sua autobiografia e das conferências que tem dado; admiro cada vez mais a sua incansável energia.
Os artigos de Drummond publicados em agosto foram escritos antes da operação a que ele se submeteu; mesmo enquanto ele esteve no hospital, o jornal continuou publicando-os. Ele agora está bem; foi muito festejado por ocasião do 81 aniversário.
Em outubro, fui eu que tive de submeter-me à operação da próstata no mesmo hospital, pelo mesmo médico. Ainda me encontrava hospitalizado no Rio, quando minha casa de Friburgo foi arrombada e saqueada. Os ladrões, além de levarem muitos valores (jóias, dinheiro, roupas, armas) fizeram estragos consideráveis, que estamos consertando aos poucos. Felizmente a minha convalescência está-se processando satisfatoriamente.
Queira aceitar um abraço cordial, extensivo a D. Pilar e a seu filho.
Paulo
* Se vier ao Brasil pro essa ocasião, não deixe de incluir em seu programa alguns dias para uma visita ao Sítio Pois é (a 2h 30 do Rio de Janeiro).
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| 1984-11-19 |
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Ver [Carta mecanografada con firma autógrafa:]
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1984 en 19/11/1984
Sítio Pois é, 19 de novembro de 1984
Querido Amigo,
Como vão vocês? Estamos com muitas saudades do casal amigo. Mandem notícias.
Você encontrará anexo à presente um discurso do Prof. Luis Otávio Savassi Rocha, da Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, conterrâneo de Guimarães Rosa e eminente estudioso de sua obra. Há nele oportunas referências à Galeguidade na obra de Guimarães Rosa, que devem interessá-lo. O endereço do Prof. Savassi Rocha é Rua Maranhão 1305, apto. 104, Belo Horizonte, 30000.
E, por falar em nosso livro, você gostará de saber que sua tradução me valeu o Prêmio Jabuti desse ano: é uma estátua de bronze oferecida pela Câmara Brasileira do Livro.
Depois de muita demora, acaba de sair o vol. VII de Mar de Histórias, de que já lhe mandei um exemplar.
Mais noticias daqui:
Carlos Drummond de Andrade encerrou suas atividades de cronista. Essa decisão, lamentada por seus leitores e por muitos articulistas, foi anunciada há mais de um mês numa crônica de adeus.
O nosso Aurélio continua doente, afetado que está do mal de Parkinson, que lhe dificulta escrever e até locomover-se.
A situação política do Brasil está muito inquieta por causa das próximas eleições presidenciais. O candidato do governo se vê ameaçado de perder, mas teme-se que o da oposição, se vencer, não venha a ser empossado. Enquanto isto, a inflação chegou a 300% ao ano. Nós outros tentamos viver sossegados no isolamento do nosso sítio, entre flores e bichos, e pensamos muito em você e em D. Pilar. Recebam nossas melhores lembranças e nossos abraços cordiais.
Paulo
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| 1986-09-25 |
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Ver [Carta mecanografada con firma autógrafa:]
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1986 en 25/09/1986
Sítio Pois é, 25 de setembro de 1986
Querido amigo Valentin,
Acabo de receber a sua amável carta de 9 de setembro, acompanhada da cópia da que você escreveu ao Sr. Melchior Jahnel.
Bem que eu estava apreensivo com o seu longo silêncio e ia escrever-lhe para reclamar notícias. Agora soube com pesar o motivo do atraso; uma broncopneumonia que o manteve por longos meses doente, afastado de todas as atividades. Nora e eu ficamos penalizados e formulamos votos para que a sua convalescença seja rápida e completa. Guardamos de você a imagem de uma pessoa enérgica, ativíssima, entregue a muitas ocupações: não conseguimos imaginá-lo enfermo. Por favor, fique fiel a sua imagem.
Espero que o afeto da família, a solicitude dos amigos, assim como a concessão de distinções excepcionais de que foi alvo (a medalha de Ouro de Vigo e o Prêmio Trasalva), se não conseguiram curá-lo, pelo menos tenham suavizado o seu sofrimento.
No Brasil, tem havido mudanças importantes. Em fim de fevereiro, o governo, para pôr um paradeiro à inflação desenfreada, substituiu o cruzeiro pelo cruzado (1 cruzado valendo 1000 cruzeiros) e congelou os preços dos artigos de primeira necessidade. Essas medidas foram acolhidas com grande entusiasmo mas infelizmente estão aos poucos perdendo o impacto: começou a faltar carne, leite, ovos, etc., que só se conseguem com ágio, o que equivale a uma inflação disfarçada. Enquanto isto, os salários permanecem fixos e os impostos estão aumentando. As eleições previstas para novembro hão de mostrar se o governo continua dispondo da confiança do povo. As liberdades públicas foram restabelecidas, mas a crise econômico-financieira permanece crítica.
A nossa vida particular pouco mudou. Continuamos a viver em nosso sítio, de onde saímos cada vez menos, o que resulta num certo isolamento. Vendemos o nosso antigo apartamento de Copacabana: agora, quando descemos ao Rio, alojamo-nos em casa de nossa filha Cora. A não ser isso, fazemos poucas viagens.
Em abril fomos com um grupo de escritores a Lençóis Paulista (cidade onde existe uma rua com o meu nome) para assistir à instalação de computadores na Biblioteca Municipal Origenes Lessa (à qual costumo doar livros). Fazia parte do grupo o próprio Origenes Lessa, nosso grande amigo, que infelizmente veio a falecer semanas depois. Estava presente também o presidente da República José Sarney, e nós pudemos avaliar a sua popularidade, que no momento estava extraordinária.
Em maio, fomos a Porto Alegre: a Universidade de lá convidara-me para fazer o brinde no banquete dos 80 anos de Mauricio Rosenblatt, ex-gerente das editoras Globo e José Olympio. O banquete foi impressionante, com trezentos amigos festejando um livreiro aposentado. Visitamos também parentes e amigos que moram em Porto Alegre. A excursão teria sido ótima se um dia depois do banquete eu não tivesse sido agredido na rua por um assaltante, que me derrubou no chão com uma rasteira e roubou o dinheiro que guardava no bolso. Escapei com alguma contusões e escoriações –mas o incidente é um bom exemplo de insegurança em que atualmente vivemos no Brasil.
De volta a Friburgo, recomecei a trabalhar. A Editora Nova Fronteira, à qual tinha entregado meu dicionário francês-português e português-francês há mais de cinco anos, finalmente resolvera publicá-lo e me tinha pedido uma revisão e uma atualização. Depois disto ainda terminei o vol. IX de Mar de Histórias, que Aurélio está revendo agora. (O vol. VIII acaba de sair: daqui a pouco vou manda-lhe o seu exemplar.) Infelizmente Aurélio não vai muito bem. Ainda assim conseguiu terminar a 2ª edição, aumentada, do seu Dicionário. Quanto a Drummond, vai bem: as últimas vezes que quis visitá-lo houve desencontro, assim não nos vemos há mais de um ano. Há tempos ele interrompeu a sua colaboração regular na imprensa.
Enquanto isto, as estações se sucedem e o tempo corre num ritmo vertiginoso. Parece-me incrível que já tenham passado mais de três anos de nossa visita a Vigo, de que guardamos lembranças indeléveis.
Queira transmitir nossas lembranças cordiais a D. Pilar e aceite um abraço afetuoso de os votos de saúde de seus amigos
Paulo e Nora
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