Lorenzo Varela (1916-1978) / Colección: Paulo Rónai con Paz-Andrade / PROXECTO EPÍSTOLAS / FONDOS DOCUMENTAIS / CONSELLO DA CULTURA GALEGA

Colección: Paulo Rónai con Paz-Andrade

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Lorenzo Varela (1916-1978)
Colección: Paulo Rónai con Paz-Andrade

Escritor e poeta, exiliado en Arxentina. A familia era orixinaria de Monterroso (Lugo). En 1920 trasládase a Arxentina. Retorna a Galicia en 1930. Ao iniciarse a Guerra Civil enrólase e parte ao fronte de batalla. Chegou a ser comandante dunha brigada da undécima división. Afíliase ao Partido Comunista chegando a ser membro destacado. Ao rematar a guerra, é recluído nun campo de concentración francés até que logra embarcarse cara México no Sinaia. En 1941 parte cara Bos Aires. En 1976 regresa a España. En 2005, a Real Academia Galega dedicoulle o Día das Letras Galegas.
Temos 3 epístola/s relacionada/s con Lorenzo Varela (1916-1978) en Colección: Paulo Rónai con Paz-Andrade
Data Título Orixe-Destino Relación [ O. ]
Data Título Orixe-Destino Relación [ O. ]
1979-07-15
Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1979
Rio de Janeiro -
Mencionado/a Orixinal - Transcrición

Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1979 en 15/07/1979

Nova Friburgo, 15-7-79


Querido Amigo Valentín Paz-Andrade,

Quando a sua carta de 22 de maio chegou ao Rio, eu estava dando um curso de trinta aulas em Belo Horizonte. Ao voltar, logo fiquei envolvido nos preparativos de minha mudança. Afinal, mudamo-nos para cá no dia 6 deste mês. Na paz destas serras pude enfim ler Cen chaves de sombra e agora posso responder à sua carinhosa carta.
Fiquei tristíssimo ao saber da morte do prefaciador e do ilustrador do seu livro. Lembro-me de ter visto quadros de Luís Seoane na Galicia. Quanto o Lorenzo Varela, o seu «Limiar» e o seu «Homenaxe Cativo» dão uma idéia de seu alto valor. Dou-lhe pêsames sentidos pela morte desses dois amigos fraternos.
O seu livro interessou-me prodigiosamente. Nele há de tudo: lirismo e épica, reminiscências poéticas de autobiografia e historia nacional, balada popular e poesia culta, meditação e balanço. Por meio dele, pode-se reconstruir o que foi a sua existência durante tantos anos trágicos. A mim também aquelas datas dizem muito. Na longínqua Hungria nós também sofríamos com as notícias terríveis que de 1936 em diante nos chegavam da Espanha. Já prevíamos naquele um ensaio do futuro que o nazismo nos preparava; e efetivamente, já em 1940 eu me encontrava num campo de concentração, de onde no ano seguinte partiria para o exílio. Sofríamos com a Espanha e a Galicia, embora quase nada soubéssemos a respeito delas. Agora que as conheço, que lhes entendo a língua e a mensagem, que nelas conto amigos queridos, que basta fechar os olhos para rever-lhes as paisagens –agora é que posso sentir retrospectivamente tudo o horror daquela época.
A sua poesia tem unha vibração particular: mesmo quando alude aos acontecimentos da sua própria vida, sente-se que você fala em nome de uma coletividade; e respira-se em toda ela uma dramaticidade profunda, aguçada pela íntima inspiração folclórica. Dou-lhe parabéns pela sua força, pelo seu dom de comunicação e por ter captado de maneira tão sensível o «genius loci». E felicito-o por não ter abandonado a poesia no meio das vicissitudes de uma vida tão ativa e por servir-se dela para exaltar a memória dos amigos mortos. O seu volume é uma obra de arte e um monumento: para mim completa a imagem que guardara da Galicia no fundo do coração.
No começo desta carta falei-lhe da minha estada em Minas Gerais. Aproveitei um fim de semana para dar um passeio a Cordisburgo, cidade natal do nosso inesquecível Guimarães Rosa. É um lugarejo minúsculo, de ar puro e rara beleza. Pensei em você na casa em que ele nascera e que hoje é museu.
Soube com prazer da excelente repercussão do seu livro sobre A galecidade na obra de G.R. em Cuba sob a pena do escritor Helio Dutra Domínguez. Ele tem razão ao indicar-lhe o acadêmico Antônio Houaiss como pessoa capaz de apreciar o seu ensaio (e, acrescento, a sua poesia também). O endereço de Antônio Houaiss é Avenida Epitácio Pessoa 4560, ap. 1302, Rio de Janeiro, 22471.
Como lhe disse, depois de passar 72 anos em capitais, acabamos de nos mudar a unha casa na serra (onde espero poder acolhe-lo um dia em companhia de D. Pilar). A mudança é grande demais. Por enquanto estamos organizando uma rotina para a nova vida e arrumando a biblioteca (O volume de Adovaldo Fernandes Sampaio deve encontrar-se em algum lugar entre os dez mil volumes ainda empacotados, logo que o encontre. Vou remetê-lo para o seu endereço) Espero poder dedicar o tempo que me resta à leitura e ao estudo.
Na verdade, mudamo-nos antes do que esperávamos. Nora só vai ausentar-se em setembro, mas prefere descer daqui uma vez por semana a permanecer no Rio. Neste momento, aproveitando-se das férias, estão conosco minha filha Laura, que estuda música na Universidade de Nova Yorque e a outra filha Cora, jornalista em Brasília, que trouxe consigo o marido, e os dois filhos. Procuramos aproveitar ao máximo esta rara oportunidade de ter a família reunida.
Drummond acaba de passar uma temporada na Argentina, o que me impedia de entregar-lhe em mão o seu livro de versos: mais deixei-o na casa dele com um bilhete.
Com meus respeitos a D. Pilar, aceite, caro Amigo, um abraço afetuoso de seu fiel


Paulo


PS. Nora manda-lhes saudações cordiais.

1980-06-28
Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1980
Rio de Janeiro -
Mencionado/a Orixinal - Transcrición

Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1980 en 28/06/1980

Sítio Pois é, 28 de junho de 1980


Meu caro Amigo,

Estou sentindo falta de suas notícias. Entre seus mil afazeres de político, advogado, ensaísta e –last but not least- poeta terá um momento livre para informar-me de sua saúde e da de D. Pilar? Terá publicado alguma obra nova depois de Cen chaves de sombra? Já foram publicados seus artigos sobre seus saudosos amigos Lorenzo Varela e Luis Seoane? Aguardo-os.
Antigamente o Amigo vinha de vez em quando ao Brasil. Não está em seus projetos uma visita ao Rio? Definitivamente instalados em nossa casa de campo, gostaríamos tanto, Nora e eu, de que o Senhor e D. Pilar passassem algum tempo conosco. Ficamos aqui a duas horas e meia do Rio, a quase 1000 metros de altitude, num clima agradável e num lugar bonito. Nova Friburgo foi fundada há 150 anos por imigrantes suíços que se instalaram aqui por acharem a paisagem semelhante ás de seu pais de origem. Aqui temos instalações contíguas para os amigos e um dos nossos prazeres é recebê-los. Note, por favor, o meu telefone daqui (0245) 22 4134.
Desde novembro, quando estive na Bulgária e na Hungria, não mais sai do Brasil. A não ser algumas conferências dadas no Rio, em S. Paulo e em Brasília, tenho permanecido aqui. Nora também acabou por aposentar-se na Faculdade de Arquitetura. Pela primeira vez na vida, podemos entregar-nos unicamente a afazeres que nos agradam.
O trabalho que mas tempo me toma é Mar de Histórias, uma grande antologia do conto mundial. Não sei se já lhe falei dessa obra, cuja publicação foi começada por José Olympio em 1945 e abandonada em 1963, ate quando saíram quatro volumes. Agora a publicação foi retomada pela Nova Fronteira. São previstos 15 volumes dos quais três publicados, o quarto ao prelo, o quinto em vésperas de ser entregue. Para que tenha uma ideia do trabalho, estou-lhe remetendo o 1º volume. Grande parte da seleção e da tradução é feita por mim, o resto e toda a revisão por Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.
Entre os 350 contos do mundo inteiro que a obra há de conter gostaria de incluir polo menos um conto galego. Na precisa coleção de livros galegos com que você me presenteou em Vigo há volumes de poesia, de ensaios, de história literária, mas não contos. Existirá uma antologia do conto catalão? Ficar-lhe-ia muito grato pela remessa de um livro destes. Não havendo, serviriam também volumes individuais de contos, como, por exemplo, Cousas de Castelao, Contos do camiño e da rúa, de Otero Pedrayo ou Do caso que lle aconteceu ó Dr. Alveiros, de Risco.
Estou-lhe enviando também,na mesma encomenda, meu ultimo livro publicado, Não perca o seu Latim, adagiário de latim, que talvez o interesse também em qualidade de advogado. Espero que lhe chegue ás mãos em ordem.
Aqui me despeço do caro Amigo, à espera de suas sempre gratas notícias, pedindo-lhe que apresente minhas gratas lembranças a D. Pilar. Nora manda abraços para ambos.
Afetuosamente

Paulo


P.S. Finalizando, ocorre-me outro pedido: de um dicionário galego-português ou galego-espanhol, que receberia também com muita gratidão...

1981-02-06
Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1981
Rio de Janeiro -
Mencionado/a Orixinal - Transcrición

Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1981 en 06/02/1981

Sítio Pois é, 6 de fevereiro de 1981


Querido Amigo Valentin Paz-Andrade,

Recebi e agradeço a bela plaqueta sobre Lorenzo Varela. Li com emoção a biografia desse poeta e as duas elegias pungentes que lhe consagraram o Senhor e Xoan-Manuel Casado. E agradeço especialmente a idéia –que muito me tocou- de valorizar o presente pelas assinaturas dos escritores galegos.
Com meus respeitos a D. Pilar, aceite meu grato abraço


Paulo Rónai


P.S. Estou-lhe remetendo pelo correio marítimo, o vol. IV de Mar de Histórias.