| 1977-09-14 |
|
Rio de Janeiro - |
epístola |
Orixinal -
Transcrición
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1977 en 14/09/1977
Rio de Janeiro, 14 de setembro de 1977
Caro Amigo Valentín Paz-Andrade,
Recebi e agradeço a sua gentilíssima carta de 8 de setembro. Em primeiro lugar quero dar-lhe, e ainda mais a seus eleitores, meus sinceros parabéns pela sua eleição para o Senado. Mais um cargo de grande responsabilidade que o ilustre Amigo aceita e para cujo desempenho lhe desejo saúde e força. Quero esperar, porém, que ele deixe um tempinho para a sua atividade literária, de tão alta significação nacional.
Gostei de saber que o Senhor recebeu a tradução brasileira de Tirano Banderas.
Tomo a liberdade de comunicar-lhe que em outubro e começo de novembro estarei na Europa, onde vou tomar parte num congresso internacional de poesia (na Hungria) e dar conferências nas universidades de Budapest, Bonn, Paris, Rennes e Madrid. Nesta última cidade, falarei sobre tradução aos alunos da Faculdade de Letras no dia 3 de novembro. Gostaria muito de encontrar o Amigo durante a minha permanência na Espanha. Caso haja possibilidade, poderia fazer uma palestra sobre o nosso Guimarães Rosa para um auditório galego. Diga-me o que pensa da idéia. Deverei partir do Rio dia 4 ou 5 de outubro: ficaria satisfeito de receber uma palavra sua antes.
Queira aceitar, com agradecimentos adiantados, os abraços mais cordiais do admirador e amigo
Paulo Rónai
|
| 1977-09-28 |
|
Rio de Janeiro - |
epístola |
Orixinal -
Transcrición
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1977 en 28/09/1977
Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1977
Caríssimo Amigo Valentín Paz-Andrade,
Recebi e agradeço a sua gentilíssima carta e respondo imediatamente.
Partirei do Rio pelo voo nº 750 de Varig no dia 7 de outubro às 22 h 30; segundo as informações aqui recebidas deverei chegar a Madri no dia 8 às 12 h 30. De Madri deverei repartir no mesmo dia 8 às 16 h 30 pelo voo 581 da Malev.
O programa da minha viagem modificou-se: terei de passar uma semana a mais em Budapest, e por isso voltarei a Madrid (em vez do dia 2) no dia 9 de novembro e minha conferência será dada no dia 10. Estarei disponível, para uma viagem a Vigo, de 12 a 15 de novembro.
Fiquei animadíssimo pelo seu gentilíssimo convite. Será para mim uma experiência extraordinária conhecer a Galiza levado pela sua mão. Terei um imenso prazer também em ir a Santiago de Compostela tanto pelo interesse da viagem quanto pelo da companhia.
Infelizmente já não me é possível elaborar um panorama da literatura brasileira porque nesta última semana do Rio estarei ocupado em mil afazeres burocráticos e outros relativos à viagem. Mas tentaria na conferência sobre Guimarães Rosa colocá-lo dentro de uma visão de conjunto da literatura brasileira moderna. Está bem?
Caso o querido Amigo prefira, poderia fazer uma palestra sobre «O problema da tradução (o que é traduzir?) ou outra sobre «Balzac nos Trópicos» sobre como foi realizada a edição brasileira da Comédia Humana. São palestras que vou fazer na Sorbonne e na Universidade de Rennes, que já estão prontas. Uma resposta sua poderá ainda encontrar-me aqui; mas peço-lhe o favor de me mandar ao mesmo tempo uma copia para o meu endereço na Hungria: Union des Ecrivains Hongrois, Bajza-utca 18, Budapest VI.
Na minha volta a Madrid poderei ser alcançado aos cuidados do Prof. Valentín García Yebra, Conde de Cartagena 5, 2º A, Madrid 7 (tel. 292-4826).
De acordo com a sua solicitação, aqui vai um Curriculum Vitae.
[Engadido a man:] Aceite meus agradecimentos mais calorosos e um abraço cordial de seu admirador e amigo
Paulo Rónai
|
| 1977-12-02 |
|
Rio de Janeiro - |
epístola |
Orixinal -
Transcrición
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1977 en 02/12/1977
Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1977
Caríssimo Amigo Valentín Paz-Andrade,
Eis-me afinal de volta ao Rio. De Lisboa, última etapa da minha viagem, mandei-lhe um cartão postal que espero tenha recebido.
Guardo da viagem uma multidão de recordações maravilhosas. Avultam entre elas as de Vigo e, em geral, as de Galícia, que hei de conservar com particular carinho. O Amigo tudo fez para que eu voltasse ao Brasil como um apaixonado da sua terra e conseguiu plenamente o seu intento. A nossa visita à Editora, a nossa ida aos dois promontórios de Vigo, o desembarque do pescado no porto, a visita aos Museus de Vigo e de Pontevedra, o passeio pelas ruas adoráveis de Santiago, pela catedral, pelo Hostal dos Reis Católicos, o almoço no restaurante El Asesino... tudo ficou gravado para sempre na minha memória.
Fiquei especialmente cativado pela gentileza de D. Pilar que, apesar de estar coma obras em casa, encontrou tanto tempo para mim e até assistiu à minha palestra.
Por tudo isso, mando-lhes uma vez mais os meus reiterados e sentidos agradecimentos.
Cheguei aqui bastante cansado e logo topei com o verão mais quente. De mais a mais, encontrei a minha mesa atapetada de correspondência acumulada na minha ausência. Por isso não pude, até agora, ir nenhuma vez à cidade, nem procurar o exemplar de Estas Estórias que me pediu. Ficará para a semana que vem.
Mas copiei o texto da minha conferência que, se bem me lembro, o Dr. Fernández del Riego pediu para publicação. Ei-lo à sua disposição.
Li atentamente o seu discurso de posse que, pelas suas amplas perspectivas, pela novidade de sua tese e pela sua extensa documentação supera de muito a maioria dos trabalhos análogos. Atendendo a seu pedido, fiz algumas observações à margem, retificando alguns pormenores sem maior importância. Vão também anexas à presente.
Afinal, sempre atendendo a seu honroso convite, tentei dizer, numa introdução a ser ante posta ao texto impresso do discurso, a forte impressão que ele me fez. Espero que o julgue aproveitável.
Resta-me apenas, já que o fim do ano se aproxima, desejar ao querido Amigo e à sua gentilíssima Senhora, um Natal muito feliz e um venturoso Ano Novo.
Paulo Rónai
[Endadido a man:]
Cara Amiga D. Pilar,
|
| 1979-07-15 |
|
Rio de Janeiro - |
epístola |
Orixinal -
Transcrición
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1979 en 15/07/1979
Nova Friburgo, 15-7-79
Querido Amigo Valentín Paz-Andrade,
Quando a sua carta de 22 de maio chegou ao Rio, eu estava dando um curso de trinta aulas em Belo Horizonte. Ao voltar, logo fiquei envolvido nos preparativos de minha mudança. Afinal, mudamo-nos para cá no dia 6 deste mês. Na paz destas serras pude enfim ler Cen chaves de sombra e agora posso responder à sua carinhosa carta.
Fiquei tristíssimo ao saber da morte do prefaciador e do ilustrador do seu livro. Lembro-me de ter visto quadros de Luís Seoane na Galicia. Quanto o Lorenzo Varela, o seu «Limiar» e o seu «Homenaxe Cativo» dão uma idéia de seu alto valor. Dou-lhe pêsames sentidos pela morte desses dois amigos fraternos.
O seu livro interessou-me prodigiosamente. Nele há de tudo: lirismo e épica, reminiscências poéticas de autobiografia e historia nacional, balada popular e poesia culta, meditação e balanço. Por meio dele, pode-se reconstruir o que foi a sua existência durante tantos anos trágicos. A mim também aquelas datas dizem muito. Na longínqua Hungria nós também sofríamos com as notícias terríveis que de 1936 em diante nos chegavam da Espanha. Já prevíamos naquele um ensaio do futuro que o nazismo nos preparava; e efetivamente, já em 1940 eu me encontrava num campo de concentração, de onde no ano seguinte partiria para o exílio. Sofríamos com a Espanha e a Galicia, embora quase nada soubéssemos a respeito delas. Agora que as conheço, que lhes entendo a língua e a mensagem, que nelas conto amigos queridos, que basta fechar os olhos para rever-lhes as paisagens –agora é que posso sentir retrospectivamente tudo o horror daquela época.
A sua poesia tem unha vibração particular: mesmo quando alude aos acontecimentos da sua própria vida, sente-se que você fala em nome de uma coletividade; e respira-se em toda ela uma dramaticidade profunda, aguçada pela íntima inspiração folclórica. Dou-lhe parabéns pela sua força, pelo seu dom de comunicação e por ter captado de maneira tão sensível o «genius loci». E felicito-o por não ter abandonado a poesia no meio das vicissitudes de uma vida tão ativa e por servir-se dela para exaltar a memória dos amigos mortos. O seu volume é uma obra de arte e um monumento: para mim completa a imagem que guardara da Galicia no fundo do coração.
No começo desta carta falei-lhe da minha estada em Minas Gerais. Aproveitei um fim de semana para dar um passeio a Cordisburgo, cidade natal do nosso inesquecível Guimarães Rosa. É um lugarejo minúsculo, de ar puro e rara beleza. Pensei em você na casa em que ele nascera e que hoje é museu.
Soube com prazer da excelente repercussão do seu livro sobre A galecidade na obra de G.R. em Cuba sob a pena do escritor Helio Dutra Domínguez. Ele tem razão ao indicar-lhe o acadêmico Antônio Houaiss como pessoa capaz de apreciar o seu ensaio (e, acrescento, a sua poesia também). O endereço de Antônio Houaiss é Avenida Epitácio Pessoa 4560, ap. 1302, Rio de Janeiro, 22471.
Como lhe disse, depois de passar 72 anos em capitais, acabamos de nos mudar a unha casa na serra (onde espero poder acolhe-lo um dia em companhia de D. Pilar). A mudança é grande demais. Por enquanto estamos organizando uma rotina para a nova vida e arrumando a biblioteca (O volume de Adovaldo Fernandes Sampaio deve encontrar-se em algum lugar entre os dez mil volumes ainda empacotados, logo que o encontre. Vou remetê-lo para o seu endereço) Espero poder dedicar o tempo que me resta à leitura e ao estudo.
Na verdade, mudamo-nos antes do que esperávamos. Nora só vai ausentar-se em setembro, mas prefere descer daqui uma vez por semana a permanecer no Rio. Neste momento, aproveitando-se das férias, estão conosco minha filha Laura, que estuda música na Universidade de Nova Yorque e a outra filha Cora, jornalista em Brasília, que trouxe consigo o marido, e os dois filhos. Procuramos aproveitar ao máximo esta rara oportunidade de ter a família reunida.
Drummond acaba de passar uma temporada na Argentina, o que me impedia de entregar-lhe em mão o seu livro de versos: mais deixei-o na casa dele com um bilhete.
Com meus respeitos a D. Pilar, aceite, caro Amigo, um abraço afetuoso de seu fiel
Paulo
PS. Nora manda-lhes saudações cordiais.
|
| 1979-10-29 |
|
Budapest - Vigo |
epístola |
Orixinal -
Transcrición
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1979 en 29/10/1979
[Budapest] 29.X.79
Querido Amigo,
Um invita à Feira Internacional do Livro e um Congresso de tradutores em Sófia, uma série de conferências em Budapest trouxeram-me de novo à Europa. Infelizmente não sobrou energia nem tempo para, desta vez, parar a Espanha. Mas penso frequentemente em Vigo e na Galiza e mando-lhe um abraço cordial com meus respeitos a D. Pilar.
Seu fiel
Paulo Rónai
|
| 1979-11-19 |
|
Madrid - |
epístola |
Orixinal -
Transcrición
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1979 en 19/11/1979
[Madrid] 19 de novembro de 1977
Queridos Amigos,
Outra greve de aviões prorrogam a minha estada em Madrid. E aproveito-a pra conhecer melhor esta grande cidade e seus arredores e, também, para reiterar-lhes os meus agradecimentos mais sinceros. Graças à sua gentileza e solicitude em Vigo senti-me como em casa e fiquei um apaixonado dessa maravilhosa Galicia. Mando-lhes minhas lembranças afetuosas, na esperança de revê-los um dia destes no Rio.
Afetuosamente seu
Paulo Rónai
|
| 1982-10-29 |
|
Rio de Janeiro - |
epístola |
Orixinal -
Transcrición
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1982 en 29/10/1982
Sítio Pois é, 29 de outubro de 1982
Querido Amigo e meu ilustre Procônsul da querida Galiza,
Recebi em boa hora e agradeço a sua gentilíssima carta de 23 do corrente. Junto vai a última relação de dúvidas: por favor, mande uma via de resposta para o meu endereço daqui e guarde a outra para entregar-me em nosso encontro de Vigo.
Quer dizer que aceito o convite com prazer e gratidão. Falaria ao público de Vigo sobre «O que é traduzir». Como o Congresso de Madrid terminará no dia 13, preferiria passar em Vigo os dias de 14, 15 e 16 de novembro; a conferência poderia realizar-se em qualquer um desses três dias.
Partirei do Rio no dia 5 de novembro sexta-feira pelo avião da Iberia que chega a Madrid na manhã do dia 6; peço-lhe que me telefone no dia 7, domingo, entre 9 e 10 horas da manhã, para o Hotel Los Galgos, Claudio Coello 139, tel. 91-262-6600, onde estarei hospedado.
Não da tempo para eu lhe mandar nesta carta as fotografias que me pede; mas tentarei levá-las em mão.
Felicíssimo com a perspectiva do nosso próximo encontro, mando-lhe um abraço afetuoso com meus respeitos para D. Pilar.
[Engadido a man:] Seu fiel amigo
Paulo
[Engadido a man:]
Em tempo.
30 de outubro de 1982
Tendo verificado os horários da Iberia no Rio, resolvi viajar para Vigo no sábado dia 13, pelo avião das 12h 30. Salvo contra-ordem da sua parte.
TERCEIRA LISTA DE DÚVIDAS
Pág. 66, linha 5 en volta d-unha atenuante
« 86, « 9 un crego de misa e ola
« 86, « 27 sin acougo nin tronce
« 87, « 14 querindonga
« 91, nota 19 refrás
« 93, linha 1 entorno vivencial
« 95, transvertimento
« 97, « 8 seus quinados repoboadores
« 100, « 31 deixalo en raleira
« 101, « 25 Se galego e português forem de daquela idiomas distintos
« 102, « 6 fiar as cadeixas de sua galecidade
« 103, « 25 primicialmente
« 105 trasega
« 114, « 17 de semellante enleo non sairía con cara
« 115, « 4 aboia
« 115, « 8 choutara
Precisaria do texto original da citação de Celso Cunha, à pág.99.
|
| 1982-11-18 |
|
París - |
epístola |
Orixinal -
Transcrición
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1982 en 18/11/1982
Paris, 18-XI-1982
Caros Amigos Pilar e Valentin,
Eis-nos em Paris, ainda atordoados pelas impressões grandiosas de nossas andanças pela Galicia e deslumbrados pela incansável hospitalidade de vocês. Ficamos-lhes sinceramente gratos por terem-se incomodado tanto conosco. Graças à dedicação do querido casal Paz-Andrade, julgamos compreender melhor a Galicia que admiramos cada vez mais. Afetuosamente
Nora e Paulo
PS. Valentín, mande-me por favor as respostas ao questionário IV até o dia 5 de dezembro ao endereço de Jean Maillot, 6 rue Fernand Pellontier, 92310 Sèvres, France ou até o dia 10 de janeiro ao de János Benghe, II, Ali-u. 13 II 7. H-1025, Budapest, Hungria.
Muito obrigado
|
| 1982-12-03 |
|
Francia - |
epístola |
Orixinal -
Transcrición
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1982 en 03/12/1982
[Bretanha] 3-XII-1982
Queridos Amigos,
Acabamos de percorrer a bela província da Bretanha, em muitos aspetos parecida coma a Galícia.
Em anexo, mando-lhes uma fotografia minha com um forte abraço. Minha filha Cora está tentando conseguir no Rio as de Aurélio e de Jorge Amado; as editoras, para surpresa nossa, não as tinham.
Agora está se dirigindo aos próprios fotografados.
Nora e eu mandamos-lhes as lembranças mais afetuosas.
Paulo
|
| 1983-02-16 |
|
Rio de Janeiro - |
epístola |
Orixinal -
Transcrición
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1983 en 16/02/1983
Sítio Pois é, 16 de fevereiro de 1983
QueridoValentín,
Reinstalado afinal em minha casa de Nova Friburgo, apresso-me em dar-lhe notícias e mandar agradecimentos.
Primeiro os agradecimentos: pela sua carta amiga de 25 de novembro (que me alcançou em França), pela cópia da 4ª folha de respostas às dúvidas e pelo exemplar de Nuevo Índice, com o seu magnífico artigo sobre Mar de Histórias, o mais generoso e completo de quantos já foram consagrados à nossa trabalhosa antologia.
Deve ter recebido o cartão que Nora e eu lhes mandamos da Hungria, onde passamos 45 dias, período intenso, cheio de experiências e emoções. Convidados do governo nos dez primeiros dias, no restante do tempo vivemos num apartamento alugado e participamos de perto na vida diária de um país socialista. Visitamos certamente uma centena de pessoas, o que significa mergulhar na existência e nos problemas de outras tantas famílias. Era ilusão minha que durante a minha estada na Hungria conseguiria trabalhar: em todo aquele tempo não tivemos uma hora livre e saímos de lá sem ter realizado a metade sequer de nosso programa.
Antes de tomarmos o avião de volta em Madrid, fizemos uma visita à loja da Fábrica de Sargadelos, deixando uma lembrancinha à nossa querida amiga e anjo tutelar D. Pilar e ao gentil casal Isaac-Mimina, que tão cortesmente nos tinha acolhido. Foi uma boa ocasião para evocar as horas inesquecíveis de nosso passeio pela Galiza.
Depois, eu voltei ao Rio e Nora foi a Nova Iorque, onde está passando uma temporada com a filha. Encontrei no Rio uma canícula das piores e logo que pude refugiei-me nestas serras. Depois de passar alguns dias a tomar conhecimento da correspondência chegada em minha ausência, já retomei a rotina, quer dizer: recomecei a tradução da Galeguidade de Guimarães Rosa, em que estou trabalhando a um ritmo regular, esperando que nada me venha interromper até acabar.
Na expectativa de que estas linhas os encontrem em perfeita saúde a você e a Pilar e que seu Filho se encontre completamente recuperado, mando-lhes, em nome também de Nora, nossas lembranças mais gratas e nossos votos sinceros de feliz Ano Novo pelo que resta de 1983.
Afetuosamente seu
Paulo
ÚLTIMAS DÚVIDAS
p. 47 os seus xuicios cirandan a obra concursante
p. 54 baixo pseudônimo de não dava nas ventas
p. 100 De boas a primeiras, descobrimos
p. 101 se galego e português foram de aquela idiomas distintos
p. 112 que tre seu orixe do francés chalense. (Não conheço essa palavra frnacesa; será assim mesmo?)
p. 114 de semellante enleo non sairia com cara
p. 147 un treillis lâche de bambous referides (Não conheço essa palavra francesa; sera assim mesmo?)
p. 196 os seus desembruxos e combinados
p. 196 retorização sobreira
p. 209 que é a FAO?
P. 209 ... que servidor, ao fin e ao cabo un escritor de imaxinación, olla como agora mesmo Cornide de Saavedra o ten nas mans, suxeto de lenta e preocupada leitura, sentado a carón d-unha fiestra que deixa ver o porto coruñés cos pesqueiros que aparellan para a costeira do bonito...
(Não entendo bem esta frase, nem a sua ligação com a anterior)
|
| 1983-04-02 |
|
Rio de Janeiro - |
epístola |
Orixinal -
Transcrición
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1983 en 02/04/1983
Sítio Pois é, 2 de abril de 1983
Meu Caro Amigo,
Estou aguardando notícias suas e de D. Pilar em resposta à minha carta de 16 de fevereiro, em que lhe anunciei a minha volta a Friburgo. Deste então Nora, que tinha ido passar um mês com a filha nos Estados Unidos, voltou também e nós recomeçamos a vida de sempre.
Escrevi-lhe que estava trabalhando na tradução do seu livro. Acabei-a ontem; falta agora datilografa-la. Por isso não a pude entregar à Difel em 1º de abril, data marcada no contrato; mas já avisei o Sr. Fernando Baptista da Silva de que teria a tradução pronta em mão em 15 de maio.
Numa segunda leitura encontrei ainda alguns pontos duvidosos, que relaciona na folha anexa; por favor, esclareça-os quanto antes.
Neste interim remeti-lhe o vol. VI de Mar de Histórias; espero que o receba em ordem.
Aceite minhas saudações afetuosas e minhas recomendações para D. Pilar.
Paulo
Nora manda lembranças.
|
| 1985-07-25 |
|
Rio de Janeiro - |
epístola |
Orixinal -
Transcrición
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1985 en 25/07/1985
Sítio Pois é, 25 de julho de 1985
Queridos Amigos Valentin e Maria del Pilar,
Recebi em tempo o seu amável cartão de 27 de maio, que muito agradeço. Ficamos contentes de saber que estão passando bem. Nós também vamos indo como Deus é servido. O Brasil é que não vai lá muito bem. O país ainda não se refez do trauma causado pela doença e a morte inesperadas do presidente Tancredo Neves, de quem todos esperavam uma melhoria da situação. O novo governo está enfrentando dificuldade enormes: inflação, desemprego, dívidas externas, falta de segurança, greves, etc. Torçam por nós.
Trouxe-lhes o cartão anexo do Nordeste, onde fui fazer algumas conferências, depois de ter passado com Nora uma temporada em Porto Alegre. Nesta cidade encontramos todo o rigor do inverno, ao passo que em Maceió fui recebido por um tempo idílico de verão. Parecia ter mudado de continente.
Fico satisfeito de saber que receberam o vol. VII de Mar de Histórias. Aurélio, cujo estado é estacionário, ainda conseguiu acabar comigo o vol. VIII, mas não tenho coragem de pedir-lhe o acabamento do IX.
Neste interim devem ter recebido meu Dicionário Universal de Citações, enviado em março, sobre o qual gostaria de saber a sua impressão. No momento estou descansando de trabalhos maiores, limitando-me a cuidar da reedição de alguns trabalhos antigos.
Minha filha mais velha, Cora, tem duas peças no cartaz de teatros do Rio; a menor, Laura, continua ativa no campo musical.
E assim vamos vivendo e envelhecendo devagar. Pensamos muito nos queridos amigos e lhes mandamos nossas atenciosas saudações
Paulo e Nora
|
| 1986-09-25 |
|
Rio de Janeiro - |
epístola |
Orixinal -
Transcrición
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1986 en 25/09/1986
Sítio Pois é, 25 de setembro de 1986
Querido amigo Valentin,
Acabo de receber a sua amável carta de 9 de setembro, acompanhada da cópia da que você escreveu ao Sr. Melchior Jahnel.
Bem que eu estava apreensivo com o seu longo silêncio e ia escrever-lhe para reclamar notícias. Agora soube com pesar o motivo do atraso; uma broncopneumonia que o manteve por longos meses doente, afastado de todas as atividades. Nora e eu ficamos penalizados e formulamos votos para que a sua convalescença seja rápida e completa. Guardamos de você a imagem de uma pessoa enérgica, ativíssima, entregue a muitas ocupações: não conseguimos imaginá-lo enfermo. Por favor, fique fiel a sua imagem.
Espero que o afeto da família, a solicitude dos amigos, assim como a concessão de distinções excepcionais de que foi alvo (a medalha de Ouro de Vigo e o Prêmio Trasalva), se não conseguiram curá-lo, pelo menos tenham suavizado o seu sofrimento.
No Brasil, tem havido mudanças importantes. Em fim de fevereiro, o governo, para pôr um paradeiro à inflação desenfreada, substituiu o cruzeiro pelo cruzado (1 cruzado valendo 1000 cruzeiros) e congelou os preços dos artigos de primeira necessidade. Essas medidas foram acolhidas com grande entusiasmo mas infelizmente estão aos poucos perdendo o impacto: começou a faltar carne, leite, ovos, etc., que só se conseguem com ágio, o que equivale a uma inflação disfarçada. Enquanto isto, os salários permanecem fixos e os impostos estão aumentando. As eleições previstas para novembro hão de mostrar se o governo continua dispondo da confiança do povo. As liberdades públicas foram restabelecidas, mas a crise econômico-financieira permanece crítica.
A nossa vida particular pouco mudou. Continuamos a viver em nosso sítio, de onde saímos cada vez menos, o que resulta num certo isolamento. Vendemos o nosso antigo apartamento de Copacabana: agora, quando descemos ao Rio, alojamo-nos em casa de nossa filha Cora. A não ser isso, fazemos poucas viagens.
Em abril fomos com um grupo de escritores a Lençóis Paulista (cidade onde existe uma rua com o meu nome) para assistir à instalação de computadores na Biblioteca Municipal Origenes Lessa (à qual costumo doar livros). Fazia parte do grupo o próprio Origenes Lessa, nosso grande amigo, que infelizmente veio a falecer semanas depois. Estava presente também o presidente da República José Sarney, e nós pudemos avaliar a sua popularidade, que no momento estava extraordinária.
Em maio, fomos a Porto Alegre: a Universidade de lá convidara-me para fazer o brinde no banquete dos 80 anos de Mauricio Rosenblatt, ex-gerente das editoras Globo e José Olympio. O banquete foi impressionante, com trezentos amigos festejando um livreiro aposentado. Visitamos também parentes e amigos que moram em Porto Alegre. A excursão teria sido ótima se um dia depois do banquete eu não tivesse sido agredido na rua por um assaltante, que me derrubou no chão com uma rasteira e roubou o dinheiro que guardava no bolso. Escapei com alguma contusões e escoriações –mas o incidente é um bom exemplo de insegurança em que atualmente vivemos no Brasil.
De volta a Friburgo, recomecei a trabalhar. A Editora Nova Fronteira, à qual tinha entregado meu dicionário francês-português e português-francês há mais de cinco anos, finalmente resolvera publicá-lo e me tinha pedido uma revisão e uma atualização. Depois disto ainda terminei o vol. IX de Mar de Histórias, que Aurélio está revendo agora. (O vol. VIII acaba de sair: daqui a pouco vou manda-lhe o seu exemplar.) Infelizmente Aurélio não vai muito bem. Ainda assim conseguiu terminar a 2ª edição, aumentada, do seu Dicionário. Quanto a Drummond, vai bem: as últimas vezes que quis visitá-lo houve desencontro, assim não nos vemos há mais de um ano. Há tempos ele interrompeu a sua colaboração regular na imprensa.
Enquanto isto, as estações se sucedem e o tempo corre num ritmo vertiginoso. Parece-me incrível que já tenham passado mais de três anos de nossa visita a Vigo, de que guardamos lembranças indeléveis.
Queira transmitir nossas lembranças cordiais a D. Pilar e aceite um abraço afetuoso de os votos de saúde de seus amigos
Paulo e Nora
|