| 1962-05-14 |
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Ver [Carta mecanografada con firma autógrafa e co membrete:]
Transcripción da Carta de Paz Andrade a Díaz Pardo. 1962 en 14/05/1962
Vigo, 14/5/1962
Querido Isaac:
Recibimos vosa carta do 27, co-a boa nova da volta de Mimina. Cando esta chegue cecais teña embarcado xa. Escribín a Losada, que ten intrés en mandarme os libros recentemente ilustrados por Luís, pra que os mandara por Mimina. Pol-o demais, non temos cousa algunha a traguer d-esa xenerosa terra, máisime no intre pol-o que ven pasando. Hai tempo que quixera ter o primeiro libro de tapas de Seoane, mais xa séi que non se atopa.
Sospeitamos que Mimina chegue nos primeiros de San Johan. Eu non estaréi aínda en condicións de ir ao porto, se ben escomenzo a moverme algo, co-a axuda da muleta. Pilar irá a agardal-a. Na tua carta falas de que vén na Dodero, mais non dices o barco.
O día 21 desembarca na Cruña o pintor Arturo Souto, con 50 coadros. Ven cheo de anceios por revivir na Terra, mais non sei se permanecerá eiquí. En Vigo ten unha irmá e sobriñas. Sei que tamén veu Jesús Bal, aínda que non aparecéu por Vigo. Cecais ande por Madrid. Só sei que estivo en Sant Yago, coa muller.
Onte estuvo a verme Otero Pedrayo, que está feliz co seu Premio. É pena que o premio teña patronímico, pra unha executoria tan limpa coma a de Ramón. Quixen dicir algo d-esto n-un artigo que me pediron os do Faro, mais non pudo ser. Armouse unha pequena revoldaina, deixáron-o dun día pra outro, viñeron a rogar enmenda… e tiven que eliminar o introito discriminador das dúas figuras morales.
Tamén Risco anduvo n-estes días por Vigo, aínda que non o vin. Fixo declaracións, ben asisadas, e supoño que está ben consolado cos cinco votos. Filgueira foi o que decidéu a votación. Tamen é o mais político no vello senso da verba.
¿Cando tomas o avión? Supoño que deixarás as cousas en forma de durar máis nas estancias galegas. E que d-esta, a de Antón Baltar será a definitiva. Os Dieste viñeron hai unha semán por eiquí, e volven a estar en Rianxo. E Luís ¿pensa en verdade na volta definitiva?
Nada máis. Lembranzas a Pepe e os demais amigos, co-a mellor aperta pra ti de
Valentín
[Engadido a man:] Será posible conquerir Lonxe, de Lorenzo Varela? Teño vellas ganas de o ter.
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| 1981-05-11 |
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Ver [Carta manuscrita:]
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1981 en 11/05/1981
Sítio Pois é, 11 de maio de 1981
Meu caro Amigo,
Acabo de receber o seu belo cartão da Irlanda. Ver que você se lembra de mim em seus passeios deixa-me comovido.
Nós aqui vamos indo. Há pouco tive uma alegria inesperada: a Federação Internacional de Tradutores atribui-me este ano o Prêmio Internacional de Tradução Nathorst, concedido de três em três anos a um tradutor . Sei que o meu caro Amigo vai alegrar-se com essa noticia.
Outro acontecimento que se deu recentemente: saiu na Hungria um volume de ensaios meus intitulado Latim e Sorriso. Foi uma sensação estranha ler-me traduzido por outro para a minha língua materna.
Com meus respeitos para D. Pilar, queira receber meu abraço muito cordial.
Paulo
P.S. Poderia mandar-me por gentileza, coma a possível urgência, dois exemplares do seu livro sobre Guimarães Rosa?
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| 1983-08-28 |
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Ver [Carta mecanografada con firma autógrafa:]
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1983 en 28/08/1983
Sítio Pois é, 28 de agosto de 1983
Caro Valentín,
Acabo de receber cópia de seu excelente artigo sobre Drummond. Mando-o logo para o endereço dele, depois de tirar uma cópia xerox para Eduardo Portela. (Não pude falar com Drummond, que se interna hoje numa clínica para submeter-se a uma operação. Espero que tudo corra bem ao nosso poeta ultrajovem.)
Outro ultrajovem é você, a julgar pela sua continua atividade, especialmente pelas conferências que vai fazer no curso de verão da Universidade Internacional Menendez y Pelayo -tenho a certeza de que com muito êxito.
O Sr. Fernando Baptista da Silva voltou da Europa (Portugal e Paris) e remeteu-me há dois dias as 2as provas da Galeguidade. Vou entregá-las devidamente corrigidas, no dia 1º de setembro à sucursal da Difel no Rio, juntamente com o índice e o texto das orelhas.
Fico-lhe grato pela sugestão de incluirmos contistas galegos no Mar de Histórias: Valle-Inclán, Castelao, Blanco Amor. Gostaríamos muito de fazê-lo, mas faltam-nos originais. Você poderia fornecê-los?
O estado do nosso Aurélio continua estacionário. Ele tem ainda a mesma dificuldade em escrever.
Talvez o interesse saber que a Academia Brasileira de Letras me distinguiu com o Prêmio Machado de Assis para 1983, por conjunto de obra. O mesmo prêmio já foi dado a Gilberto Freyre, Guimarães Rosa, Rachel de Queiroz, etc.; sou o primeiro brasileiro naturalizado a recebê-lo.
Com nossas recomendações, minhas e de Nora, para Pilar, aceite um abraço muito cordial do seu amigo, admirador, prefaciador e tradutor
Paulo
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| 1983-11-16 |
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Ver [Carta mecanografada con firma autógrafa:]
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1983 en 16/11/1983
Sítio Pois é, 16 de novembro de 1983
Querido Valentín,
Recebi a sua carta amiga de 27 de outubro. Muito abrigado pelos seus parabéns a propósito de meu Prêmio Machado de Assis.
Neste interim chegou-me a edição brasileira da Galeguidade, feito com cuidado e bom gosto. Até agora descobri apenas uma falha: na epígrafe de meu prefácio, a frase de Lorenzo Varela: «E sempre, sempre, sempre em Galiza...» saiu assim: «E sempre...».
Quanto à organização de tardes de autógrafo no Rio e em São Paulo, ela é da competência exclusiva da editora e não depende de nenhum crítico. *
Li com alvoroço as notícias que me dá dos progressos de sua autobiografia e das conferências que tem dado; admiro cada vez mais a sua incansável energia.
Os artigos de Drummond publicados em agosto foram escritos antes da operação a que ele se submeteu; mesmo enquanto ele esteve no hospital, o jornal continuou publicando-os. Ele agora está bem; foi muito festejado por ocasião do 81 aniversário.
Em outubro, fui eu que tive de submeter-me à operação da próstata no mesmo hospital, pelo mesmo médico. Ainda me encontrava hospitalizado no Rio, quando minha casa de Friburgo foi arrombada e saqueada. Os ladrões, além de levarem muitos valores (jóias, dinheiro, roupas, armas) fizeram estragos consideráveis, que estamos consertando aos poucos. Felizmente a minha convalescência está-se processando satisfatoriamente.
Queira aceitar um abraço cordial, extensivo a D. Pilar e a seu filho.
Paulo
* Se vier ao Brasil pro essa ocasião, não deixe de incluir em seu programa alguns dias para uma visita ao Sítio Pois é (a 2h 30 do Rio de Janeiro).
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| 1984-11-19 |
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Ver [Carta mecanografada con firma autógrafa:]
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1984 en 19/11/1984
Sítio Pois é, 19 de novembro de 1984
Querido Amigo,
Como vão vocês? Estamos com muitas saudades do casal amigo. Mandem notícias.
Você encontrará anexo à presente um discurso do Prof. Luis Otávio Savassi Rocha, da Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, conterrâneo de Guimarães Rosa e eminente estudioso de sua obra. Há nele oportunas referências à Galeguidade na obra de Guimarães Rosa, que devem interessá-lo. O endereço do Prof. Savassi Rocha é Rua Maranhão 1305, apto. 104, Belo Horizonte, 30000.
E, por falar em nosso livro, você gostará de saber que sua tradução me valeu o Prêmio Jabuti desse ano: é uma estátua de bronze oferecida pela Câmara Brasileira do Livro.
Depois de muita demora, acaba de sair o vol. VII de Mar de Histórias, de que já lhe mandei um exemplar.
Mais noticias daqui:
Carlos Drummond de Andrade encerrou suas atividades de cronista. Essa decisão, lamentada por seus leitores e por muitos articulistas, foi anunciada há mais de um mês numa crônica de adeus.
O nosso Aurélio continua doente, afetado que está do mal de Parkinson, que lhe dificulta escrever e até locomover-se.
A situação política do Brasil está muito inquieta por causa das próximas eleições presidenciais. O candidato do governo se vê ameaçado de perder, mas teme-se que o da oposição, se vencer, não venha a ser empossado. Enquanto isto, a inflação chegou a 300% ao ano. Nós outros tentamos viver sossegados no isolamento do nosso sítio, entre flores e bichos, e pensamos muito em você e em D. Pilar. Recebam nossas melhores lembranças e nossos abraços cordiais.
Paulo
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| 1986-09-25 |
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Ver [Carta mecanografada con firma autógrafa:]
Transcripción da Carta de Paulo Ronai a Paz Andrade. 1986 en 25/09/1986
Sítio Pois é, 25 de setembro de 1986
Querido amigo Valentin,
Acabo de receber a sua amável carta de 9 de setembro, acompanhada da cópia da que você escreveu ao Sr. Melchior Jahnel.
Bem que eu estava apreensivo com o seu longo silêncio e ia escrever-lhe para reclamar notícias. Agora soube com pesar o motivo do atraso; uma broncopneumonia que o manteve por longos meses doente, afastado de todas as atividades. Nora e eu ficamos penalizados e formulamos votos para que a sua convalescença seja rápida e completa. Guardamos de você a imagem de uma pessoa enérgica, ativíssima, entregue a muitas ocupações: não conseguimos imaginá-lo enfermo. Por favor, fique fiel a sua imagem.
Espero que o afeto da família, a solicitude dos amigos, assim como a concessão de distinções excepcionais de que foi alvo (a medalha de Ouro de Vigo e o Prêmio Trasalva), se não conseguiram curá-lo, pelo menos tenham suavizado o seu sofrimento.
No Brasil, tem havido mudanças importantes. Em fim de fevereiro, o governo, para pôr um paradeiro à inflação desenfreada, substituiu o cruzeiro pelo cruzado (1 cruzado valendo 1000 cruzeiros) e congelou os preços dos artigos de primeira necessidade. Essas medidas foram acolhidas com grande entusiasmo mas infelizmente estão aos poucos perdendo o impacto: começou a faltar carne, leite, ovos, etc., que só se conseguem com ágio, o que equivale a uma inflação disfarçada. Enquanto isto, os salários permanecem fixos e os impostos estão aumentando. As eleições previstas para novembro hão de mostrar se o governo continua dispondo da confiança do povo. As liberdades públicas foram restabelecidas, mas a crise econômico-financieira permanece crítica.
A nossa vida particular pouco mudou. Continuamos a viver em nosso sítio, de onde saímos cada vez menos, o que resulta num certo isolamento. Vendemos o nosso antigo apartamento de Copacabana: agora, quando descemos ao Rio, alojamo-nos em casa de nossa filha Cora. A não ser isso, fazemos poucas viagens.
Em abril fomos com um grupo de escritores a Lençóis Paulista (cidade onde existe uma rua com o meu nome) para assistir à instalação de computadores na Biblioteca Municipal Origenes Lessa (à qual costumo doar livros). Fazia parte do grupo o próprio Origenes Lessa, nosso grande amigo, que infelizmente veio a falecer semanas depois. Estava presente também o presidente da República José Sarney, e nós pudemos avaliar a sua popularidade, que no momento estava extraordinária.
Em maio, fomos a Porto Alegre: a Universidade de lá convidara-me para fazer o brinde no banquete dos 80 anos de Mauricio Rosenblatt, ex-gerente das editoras Globo e José Olympio. O banquete foi impressionante, com trezentos amigos festejando um livreiro aposentado. Visitamos também parentes e amigos que moram em Porto Alegre. A excursão teria sido ótima se um dia depois do banquete eu não tivesse sido agredido na rua por um assaltante, que me derrubou no chão com uma rasteira e roubou o dinheiro que guardava no bolso. Escapei com alguma contusões e escoriações –mas o incidente é um bom exemplo de insegurança em que atualmente vivemos no Brasil.
De volta a Friburgo, recomecei a trabalhar. A Editora Nova Fronteira, à qual tinha entregado meu dicionário francês-português e português-francês há mais de cinco anos, finalmente resolvera publicá-lo e me tinha pedido uma revisão e uma atualização. Depois disto ainda terminei o vol. IX de Mar de Histórias, que Aurélio está revendo agora. (O vol. VIII acaba de sair: daqui a pouco vou manda-lhe o seu exemplar.) Infelizmente Aurélio não vai muito bem. Ainda assim conseguiu terminar a 2ª edição, aumentada, do seu Dicionário. Quanto a Drummond, vai bem: as últimas vezes que quis visitá-lo houve desencontro, assim não nos vemos há mais de um ano. Há tempos ele interrompeu a sua colaboração regular na imprensa.
Enquanto isto, as estações se sucedem e o tempo corre num ritmo vertiginoso. Parece-me incrível que já tenham passado mais de três anos de nossa visita a Vigo, de que guardamos lembranças indeléveis.
Queira transmitir nossas lembranças cordiais a D. Pilar e aceite um abraço afetuoso de os votos de saúde de seus amigos
Paulo e Nora
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